ELE É VELHO, FEIO, CHATO, MAU E SEM-VERGONHA.

Coluna do Comendador Baltazar

Estas aventuras são ambientadas em Curitiba. Verídicas ou não, aí estão. Então preparem-se, pois começa agora (30/04/2003,1h30) a COLUNA DO COMENDADOR BALTAZAR, As histórias do nosso herói serão publicadas semanalmente. Portanto, confiram!!!
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Sexta-feira, Novembro 25, 2005



Nesta semana que passou, como não tive nem muitas nem poucas coisas para fazer resolvi descobrir o que tem o bairro onde moro. Este é o tipo de atividade da qual me oferece um único resultado apenas, de que estarei perdido nesta aventura descabida em pouco tempo. Mas pelo menos, nas próximas vezes em que resolver fazer este tipo de coisa terei certeza de que, num futuro muito próximo, estarei perdido. Porém, não mais precisarei ficar desesperado me descabelando por aí, ou xingando todos que vêm em minha direção nas calçadas, pois ficarei calmo, pelo simples fato de já ter vivenciado tal situação tantas outras vezes.

Assim sendo, deixe-me continuar; após ter saído do prédio onde moro procurei ter cuidado em não passar pela frente do bar onde ficam os velhos trambiqueiros conhecidos meus. Taí coisa que não gosto: trambiqueiros e pessoas que não moram comigo me vendo todos os dias. E o que é pior desta história toda é ter de pagar bebidas para esses tipos. Muito desagradável. Mas procuremos esquecer desta parte e continuemos com o relato sem desvios de percursos. Então, com uma olhadela para um lado e uma olhadela para outro enquanto caminhava, estava eu, em poucos minutos, completamente perdido. Incrível como isso pode acontecer comigo. Mas isso não tirou o prazer que sentia em caminhar livre por aí, sem rumo, literalmente.

Depois de ter caminhado algumas quadras fiquei cansado. Também pudera, sei lá por quanto tempo fiquei dando voltas pelas ruas sem saber como me localizar. Mas não estou aqui para me reclamar disto ou daquilo. Casos que, deixe-me continuar com a narrativa; como fazia muito calor resolvi entrar numa porta que estava aberta. Calma! Não costumo entrar em qualquer porta que esteja aberta, aquilo me parecia ser um bar. Casos que fiz uma ligeira e estúpida associação: bar, porta aberta, Baltazar... Tudo haver. E, sendo um bar, o melhor que tinha a se fazer naquele momento seria entrar e saborear uma cerveja.

Ao entrar no estabelecimento me deparei com um, digo, com alguns tipos estranhos. Um com a cabeça apoiada no balcão dormindo de babar, um outro, sem os sapatos, coçando os vãos dos dedos. Coisa fina, pensei. Um terceiro, minúsculo que só ele, parecia até coisa de circo, que desde o momento que entrei, tomei umas três cervejas e fui ao banheiro mijar, até o momento que saí, não parou um só instante de gargalhar. Sujeito engraçado este, continuei pensando. Continuando com a descrição; havia uma coisa que me deixou curioso, pois entre um ovo de codorna e outro (levemente esverdeados por sinal) num pires havia um outro objeto redondinho escuro e que se mexia, do qual só tive ciência depois que foi afugentado por um tapa no vidro da estufa, que não funcionava, claro. O objeto? Um pequeno besouro sendo devorado por formigas.

Parecia tudo estranho, mas o grau de estranheza de tudo aquilo junto não se comparava com o da proprietária do local, ou talvez devesse dizer: proprietário, sei lá. Aquela cara gordona com um sorriso débil em sua boca fétida me causava náuseas, mas quanto a isso era fácil, bastava apenas se afastar dela, ou dele, e claro, não olhar diretamente para ele, ou ela. Tente imaginar a situação; embaixo de um nariz peludo havia um indiscreto buço, que, dependendo de como visse, poderia até dizer que era um baita de um bigode. Bom, só sei de uma coisa; não era nada feminina aquela visão. Coisa que me deixou um pouco intimidado, mas como entrei ali para beber nem dei conta do aspecto da... Do indivíduo que estava atrás do balcão.

Mas, depois de mais umas duas ou três cervejas aquilo tudo deixou de ser estranho aos meus olhos, mesmo porque eles já não serviam para muita coisa, e todos ali ficaram amigáveis. Não! Esta palavra é forte demais para a situação. Digamos apenas que ficaram com suas feições mais aprazíveis. Contudo, era hora de partir, rumo à minha casa lógico. Até porque eu ainda estava perdido. Teria de descobrir o caminho de volta ao lar, e isso poderia levar algum longo tempo, ainda mais depois dessa cervejada toda. Posso dizer que tive uma tarde bacana, regada por bebidas, caras feias e pessoas estranhas, mas, tudo bem, foi divertida. Sabe, sou um sujeito de sorte, pois com toda aquela bizarrice no bar não tive pesadelos como pensei ter na hora que fosse dormir. Mas é isso. Até a próxima.


Sabe, mesmo com esta aparência, a dona, ou o dono do bar, era bem agradável... e bom de conversa. Talvez até volte lá um dia, se eu lembrar como faz para chegar até o boteco.
Oiram Bourges 15:34 [+]
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Quinta-feira, Novembro 17, 2005


Aqui, por esses dias, tem feito um calor dos diabos. As pessoas com quem falei, e que por sinal foram muito poucas, também me disseram que não estão mais agüentando com este calorão desmedido. Para vocês terem uma idéia de como a situação está braba, aqui dentro de casa eu tenho circulado apenas de cueca. Porém, parece-me que nem assusta mais este tipo de coisa, pois partindo de mim, tudo pode acontecer. Já as crianças são mais comedidas, se vestem com mais discrição. Quanto a Olga... Ah, ela teve uma criação enérgica em colégios de freiras. Então, procura não se expor à essas poucas vergonhas. Mas, assim mesmo, com todos os seus pudores tem desfilado pelo apartamento em roupas sumárias. Bom, pelo menos depois que todos vão se deitar.

Se bem que nem foi para isso que me indignei a sentar aqui e escrever o que me aconteceu esta semana que passou. Vejamos; depois que me reencontrei com aquele patife do Ermenegildo, mais conhecido como Coronel Beleléu, minha vida aqui no bairro virou uma agitação só. Tenho sempre uma coisa nova para fazer, mesmo que não seja uma coisa boa de se fazer. Enfim, coisas de aposentado. Mas são dessas maneiras que as atividades surgem em nossas vidas. E após escorrer, por derretimento, pelas portas do apartamento, do elevador e da recepção do prédio onde moro de tanto calor que tem feito rumei até o próximo boteco por baixo das marquises, pelas nesgas de sombra projetadas nas calçadas. E fazer o quê? Encontrar o tal do Beleléu, oras.

Chegando lá fui apresentado para um outro picareta do local, e claro, já nos entendemos. No entanto, procurei não me misturar com essa laia. Poderia me dar mal no futuro. Além do mais, basta ter encontrado este milico aposentado no meu bairro para me encher de agitação. Então, depois de algumas cervejas estávamos prontos para bolar uma maneira de ganhar dinheiro mais facilmente. Obviamente que a esta altura dos fatos eu já me encontrava com os pés redondos, de tanto beber. Sendo que nada daquilo combinado de fazer iria ser feito realmente, isso era fato. E a explicação era simples; o esquecimento tomaria conta de nossas mentes vazias antes mesmo que pudéssemos levantar nossas bundas pesadas da cadeira para ir ao banheiro mijar... Nas calças, paredes, e, finalmente, se sobrasse ainda urina para tanto, na latrina.

Quem "adora" nossas reuniões bestas é o proprietário do bar, sempre encontra um jeito de nos tocar do seu estabelecimento antes que resolvamos dar início a uma estúpida competição criada nos tempos de quartel, e que funcionava da seguinte forma: quando nós, ainda jovens, estávamos bêbados, fosse onde fosse, tínhamos de cantar o Hino Nacional, se errássemos a letra, o que sempre acontecia, nós pagávamos em flexões de braço. Mas veja: isso acontecia quando éramos jovens. Hoje, se essa competição acontecesse de verdade nós acabaríamos xingando um ao outro, pois não conseguiríamos nem cantar corretamente nem fazer as tais flexões. Sendo que para flexionar o joelho em qualquer escada já é uma dificuldade, agora imagine os braços em exercícios de força.

Está bem, vou resumir a história; depois que eu já estava babado e com as calças molhadas, frente e verso, fui convencido de voltar para casa. Então um taxista me botou para dentro de seu carro e despejou na frente de meu prédio. Ciente de que eu nem imaginava onde estava tratei de sair engatinhando para qualquer lugar. Como tinha de subir uns degraus até entrar no prédio eu preferi descer. E como descer se ainda nem tinha subido? Penso. Logicamente resolvi me deitar na calçada e dormir ali mesmo. Ainda bem que o porteiro se simpatiza comigo. A prova disto é que ele me colocou, entre um peido e outro, tanto da parte dele quanto da minha, para dentro do elevador. Creio que não preciso ficar me cansando a ponto de relatar o que me aconteceu quando a Olga viu o estado deprimente em que eu estava. Tudo bem, eu conto uma parte. Veja; além das vassouradas nas pernas e na bunda, parei embaixo do chuveiro com uma água fria. Mas... Nem liguei pra isso. Foi até bom para aliviar o calor da semana.


Bêbados, quando estão bêbados, costumam dormir em qualquer lugar. Eu, quando estou bêbado, costumo fazer o mesmo que eles.
Oiram Bourges 22:32 [+]
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Quinta-feira, Novembro 10, 2005


Nesses dias estranhos, mas agradáveis de primavera, resolvi sair de casa. Passear um pouco me faria bem. Pelo menos foi assim que pensei, pois ficar em casa me dá no saco. Casos que fui para o ponto de ônibus, talvez quisesse me perder pelo bairro novamente. Mas desta vez seria um pouco diferente e mais fácil o meu retorno; anotei meu endereço completo num pedaço de papel. Assim sendo, nada havia para temer. Todavia, no caminho para o ponto do lotação, encontrei um outro militar aposentado descansando num dos bancos da praça. O nome dele era Ermenegildo, mais conhecido na época por Coronel Beleléu. E, sem despertar suspeitas tentei fugir daquele lugar antes que me visse. Porém, foi em vão. Ele me chamou através de nosso antigo grito de guerra, aí então não tive outro jeito senão ter de ir lá, conversar.

Depois de muito papo furado e sem graça alguma, tanto para mim quanto para ele, resolvemos combinar algo para fazer de divertido. Pensamos por um tempo e tivemos uma idéia que parecia ser fantástica; criar um curso para os moradores do bairro. Mas, um pequeno problema surgiu com esta idéia mirabolante e muito mal pensada, e consistia em apenas uma coisa: ensinar o quê? Bom, depois de mais um tempo analisando as hipóteses, todas sem fundamento, chegamos a uma conclusão. Ensinaríamos aos alunos, se tivesse algum obviamente, a arte de se passar bem quando não tem nada para fazer. Tudo baseado em fatos reais. E ainda, por dois mestres no assunto.

Após quase uma semana de intensa propaganda boca à boca pelas portas de botecos, farmácias e supermercados da região, começaram a aparecer umas pessoas para se inscreverem. E todos portando um dos objetos de maior uso neste curso: um rádio de ondas longas, ondas médias, ondas curtas e almost waves. Claro que eu, digo, o Adalberto, era o único que tinha este tipo de rádio, pois ele fora importado há muito tempo de um grande centro tecnológico do Paraguai, onde fabricou tal rádio com peças importadas da Argentina. Poderia dizer que tal mimo não é para qualquer pessoa, só para ele e para mim, que vivo emprestando dele. Continuando; como sabia que nem todos teriam este maravilhoso equipamento toleramos os inscritos com rádios de ondas curtas mesmo. O importante era comparecer.

Ficamos surpreendidos com tatos aposentados e pessoas de meia-idade batendo em minha porta para participarem do curso. Isso queria dizer dinheiro extra para o Natal, viagens e outras bobagens. Lá pelas tantas, quando a sala estava abarrotada de gente, e uns pisando sobre os outros, a Olga chegou. Assustada, e ao mesmo tempo encolerizada, ordenou que todos, inclusive eu, fossem embora pra rua, e não quis nenhum tipo de explicação. Puxa vida; pensei, ela bem que poderia ser mais compreensiva comigo, ou com as maneiras que resolvo para tirar uns trocados a mais, pois, sem querer, e depois por querer, acabou interrompendo a terceira lição, que no meu ponto de vista era uma das mais importantes do curso. Sei que escarrar o mais longe possível através da janela não é lá a maneira mais agradável, muito menos a mais polida para um cavalheiro, mas e daí? Ninguém tem nada haver com isso nem nada a ver também.

Agora você quer saber por que do rádio, já que nem mencionei nas lições. Pois bem; o rádio serve apenas para dar um tempero nessas lânguidas tardes inúteis de primavera, e depois vem as tardes estúpidas de verão, e assim por diante. Cada tarde com sua característica principal, ou seja, nenhuma. E agora fiquei aqui, sozinho, na esquina, olhando os carros passarem e sem um lugar bacana para ir. Primeiro porque não sei como é que se chega lá, seja qual for o lugar, e depois porque não estou com vontade de sair mais. Quanto ao coronel? Aquele patife? Foi para o beleléu, como sempre fez na hora em que precisávamos dele. Maldito. Bom, fiquei cansado de toda essa bagunça. O pior de tudo que vou ter de devolver o dinheiro a esse povo. Tudo por causa da Olga. Mas também não vou limpar nada lá em casa, caso tenham sujado. Nem lavar o telhado do prédio vizinho... Muito menos pedir desculpas pelo que foi feito. Afinal de contas, nós homens, precisamos nos impor nestes momentos cruciais.


Este era o carro de um infeliz que estava estacionado entre meu prédio e o prédio do vizinho. E como nem todos conseguiam escarrar à longas distâncias acabou caindo um pouquinho dessas nojeiras no veículo. Mas também não quero nem saber disso.

Oiram Bourges 17:05 [+]
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Sábado, Novembro 05, 2005


A falta de atividade é um problema que afeta nossas vidas diretamente. A comprovação desta teoria mostrarei agora com uma pérola que me aconteceu dia desses. Hã... Veja: me aconteceu alguma coisa, mas foi decorrência das coisas que não acontecem. Bom, o que estava falando mesmo? Ah, sim; depois de alguns meses socado neste apartamento, só saindo vez ou outra para pegar sol e tomar umas cervejas (terapia ocupacional), a Olga resolveu que tínhamos de sair para passear um pouco, porque até para ela a coisa está feia, neste sentido. Que sentido? A solidão é claro. Sabe, minha senhora também está isolada de suas amigas fofoqueiras neste fim de mundo que ainda não sei, e nem pretendo saber qual é o nome deste bairro em que viemos morar.

Casos que fomos, eu, a Olga, netos, e a sobrinha, e pasmem, até os animais, todos para arejar nossas mentes. Para qual lugar fomos? Oras, esperem um pouco, se contar tudo agora perderá a graça, ou talvez, perderei a linha de raciocínio. Coisa não muito difícil de acontecer. Continuando; meu fusquinha partiu rumo ao desconhecido, sendo que este desconhecido, aos olhares da Olga, poderia ser qualquer casa de amiga ou parente. Contudo, bons ventos sopravam em nosso favor. Isso queria dizer o seguinte: fomos realmente a um lugar novo.

Depois de horas encalacradas neste veículo resolvemos parar numa lanchonete qualquer que estava no meio do caminho. Isso para aproveitar ainda mais a viagem. Sabe, o clima era de descontração entre nós, sendo que, o primeiro grupo muscular a ser descontraído em nossos corpos pueris e cheios de câimbras, foi o da perna. E quando todos, menos eu obviamente, já estavam bem com seus corpos, e querendo se dispersar para as barracas de quitutes e bebidas que tinha espalhado pela região resolvi, que era o momento adequado para catar o pessoal e enfiá-los no carro, pois deveríamos continuar com a viagem, mesmo que sem saber para onde estávamos indo.

Bom; sei dizer que a brincadeira, lá pelas tantas, começou a encher o saco. Nada daquilo que víamos na estrada estava agradando. Quando não tinha muito mato para olhar nos acostamentos da estrada, tinha pequenas vilas compostas por casinhas feitas de sapê. E aquilo durou por umas horas até que chegamos num lugar maior e melhor apresentável. Foi aí que descobrimos onde fomos parar, no litoral. Olha; quando eu estava pensando em voltar encontrei aquilo tudo só para nós. Contudo, o dia estava um pouco frio e ainda por cima nublado. No entanto, assim mesmo nos divertimos. Quero dizer; chegamos a pensar que isso ia acontecer, mas como já falei, o tempo estava estranho, e isso bastou para atrapalhar nossos planos... Bom, nem sei direito do que estou falando, porque até então nada tinha de combinado.

Pelo menos conseguimos alcançamos nosso objetivo: sair de casa. Aquele prédio que nunca consigo encontrar o caminho quando saio para passear, e que ainda não fazemos nada de especial além de ficar, sempre, com a maior e a tradicional cara de bunda. Coisa que, enquanto morávamos na outra casa, apenas eu ficava com esta feição pouco agradável. E agora que chegamos no dito lar estou eu, largado na minha poltrona e com os pés numa bacia de água para refrescar. Sabe, depois que voltamos do litoral a temperatura por aqui ficou bastante quente, e com um grande sol escancarando seus horríveis dentes para mim, mas isso acontece só para me provocar. Quem me provocar? Ah! Sei lá. Não imagino quem teria coragem de fazer isso comigo. Mas é isso. Agora preciso trocar a água da bacia, pois o vira-lata daqui resolveu cagar dentro. E o pior de tudo que o danado quase acertou meus pés com a bosta. Oh, bosta.


Além do tempo não ajudar havia algo na praia que não deixava o pessoal animado.
Oiram Bourges 20:01 [+]
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